Maioria por violência doméstica. APAV apoiou 50.495 mulheres em quatro anos
Em média, cada mulher assistida pela Associação Portuguesa de Apoio à Vítima sofreu dois crimes em simultâneo, realça a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima.
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima prestou apoio, nos últimos quatro anos, a 50.495 mulheres, número que traduz um crescimento de 22,8 por cento de 2022 a 2025. A maioria sofreu crimes de violência doméstica. Dados conhecidos na antecâmara do Dia Internacional da Mulher, que se assinala no próximo domingo.No ano passado, foram ajudadas 14.006 vítimas do sexo feminino.
Em quatro anos, a APAV apoiou 50.495 vítimas do sexo feminino, numa subida consistente: 11.410 em 2022, 12.398 em 2023, 12.681 em 2024 e 14.006 no ano passado.
A associação registou 97.149 crimes e formas de violência contra mulheres, num aumento de 21,7 por cento.
Ainda segundo os números da APAV, os crimes de violência doméstica dominam a estatística. Representam 81,1 por cento dos casos. Seguem-se crimes ameaça ou coação, abuso sexual de crianças, ofensas à integridade física, difamação ou injúria e burla.Os números da APAV mostram que 61,8 por cento das vítimas são mulheres entre os 18 e os 64 anos.As crianças e jovens até aos 17 anos perfazem 15,3 por cento do total de vítimas. E é este o segmento que regista um crescimento mais pronunciado: 47,2 por cento.
As pessoas com 65 ou mais anos representam 10,5 por cento do conjunto de vítimas apoiadas pela APAV.
Nacionalidade e geografia
Setenta e quatro por cento das vítimas são portuguesas. Foram também apoiadas 8.587 mulheres estrangeiras, que representam 17 por cento do total, num aumento de 58,6 por cento durante os quatro anos em causa.A maioria das vítimas residia nos distritos de Lisboa, Faro, Porto, Braga e Setúbal.
Foram identificados 51.769 agressores, ocorrendo um crescimento de 28 por cento, a maioria - 71,2 por cento - do sexo masculino.
Em quase metade dos casos, os agressores teriam relações de intimidade com as vítimas.
"Mais de metade das mulheres sofreu vitimação continuada, sendo que uma parte significativa procurou apoio apenas após vários anos de violência", enfatiza a APAV, que refere que 54,7 por cento das vítimas apresentaram queixa e 33,9 por cento não procederam do mesmo modo.
c/ Lusa